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ENTREVISTAS

Júlio Sérgio Gomes de Almeida
Diretor-executivo do IEDI

Doutor em economia, Júlio Sérgio Gomes de Almeida foi professor-adjunto do Instituto de Economia da UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro e leciona, desde 1983, na Unicamp - Universidade de Campinas. Exerceu também o cargo de Secretário Especial Adjunto de Assuntos Econômicos do Ministério da Fazenda, entre 1986 e 1987. Desde 1997 é diretor-executivo do IEDI - Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, organismo criado em 1989 e que reúne hoje 45 dos principais empresários industriais do País.

Portal - Quem puxa o crescimento do PIB brasileiro? O sr. afirmou em artigo publicado na revista "Indústria Brasileira", nº 33, que é a indústria mas, nos últimos anos, a participação do setor ficou bem abaixo, por exemplo, da agropecuária.


Júlio Sérgio: Isso é estatística. Peguei 12 anos que o IBGE publica a série do crescimento do PIB por trimestre. Sobre o ano passado falta ainda publicar o resultado de dezembro, então são 47 trimestres. Eu escolhi o índice de 3,5% porque quando o PIB cresce 3,5% a economia consegue absorver as novas pessoas que entram no mercado de trabalho, então é um número relevante. Se a economia cresce abaixo de 3,5% ficamos devendo, vamos dizer assim, na questão do emprego. Sempre que o PIB cresce acima de 3,5% a indústria está puxando. Por que isso? Isso significa dizer o seguinte: se quisermos crescer 3,5%, a indústria vai ter que crescer uns 5% mais ou menos. A agropecuária cresceu uns 5% no ano passado mas ela não tem o poder de puxar o PIB com ela, com o seu crescimento.



Portal - Por que não?


Júlio Sérgio:
Porque foram décadas de industrialização, 50 anos de industrialização. Por exemplo, nosso setor de serviços é muito mais dependente da indústria do que da agricultura. Existem áreas do nosso setor de serviços que já têm um impacto muito grande na indústria, como a telefonia. A indústria de celulares brasileira é muito desenvolvida e cresceu a partir do setor de serviços. Na área da agricultura, da agropecuária, a nossa indústria de tratores, de máquinas agrícolas e fertilizantes tem crescido muito em função da demanda do setor agrícola, mas o grande crescimento da agropecuária ainda é relativamente recente, vem de 98-99 para cá. Isso, na verdade, reflete o desbalanceamento do crescimento brasileiro dos últimos 50 anos, que foi sempre liderado pela indústria, o que acabou gerando uma relação muito íntima com o setor de serviços. A agropecuária crescendo mais, alguns setores de serviços crescendo mais, como no exemplo que eu dei da telefonia, essa coisa tende a se equilibrar, mas por hoje a indústria ainda é o setor que ainda tem mais relações, principalmente com o setor de serviços e então puxa o crescimento. Eu coloquei isso com muito cuidado porque não interessa nem a mim nem à organização em que eu trabalho criar qualquer tipo de polêmica sobre quem é mais importante. Todo mundo é importante.


Portal - Muita gente considera que a vocação do Brasil é para a agropecuária, o agronegócio. O sr. acredita que daqui a alguns anos, com os resultados expressivos obtidos, o setorpode vir a ocupar um papel central como indutor do desenvolvimento econômico do País?


Júlio Sérgio: Sem dúvida nenhuma. Da mesma forma que 50 anos de crescimento econômico puxado pela indústria formaram essa rede toda, se você tiver um crescimento da agricultura também se forma, no comércio, no fornecimento, na reparação, muito embora isso já venha acontecendo. Se você desdobrar um pouco na nossa geografia, para muitas cidades, essa coisa já está mudando, isso aí muda mas precisa de um pouco de tempo porque são ações que se estabelecem entre o setor que nós estamos falando, no caso a agropecuária, com o setor serviços e com a indústria. Por enquanto, o predomínio ainda é da indústria para o setor serviços, principalmente. A indústria influencia muito o setor de serviços, então quando ela cresce, ela puxa o setor de serviços e na média da economia ela cresce mais, de novo. O que a gente precisa é de um crescimento harmonioso. Então, por exemplo, a agropecuária cresceu 5% no ano passado. O PIB caiu 0,2%, por que? porque os outros setores ainda não acompanharam. Então isso mostra que é preciso fazer crescer a economia como um todo, a indústria e o setor de serviços também. O crescimento do agronegócio é muito importante porque ele sinaliza uma coisa: o nosso empresário, desde que ele tenha condições de trabalhar, em pouco tempo, ele é capaz de fazer mudanças muito importantes na economia. Eu acho difícil você ter um setor comandando o processo, seja em termos de geração de empregos, exportação e crescimento econômico, essa é a nossa tese. Tem países que alcançaram um grau de desenvolvimento só com base na agropecuária mas são poucos, Austrália, por exemplo. A Argentina enquanto era rica, isso faz tempo, talvez a Finlândia, é um outro país que conseguiu até ir muito além, quer dizer, transformou o impulso inicial da agropecuária num país de base tecnológica muito grande, assim como muitos países superaram a questão do subdesenvolvimento através da indústria, tipicamente através da indústria como, por exemplo, o Japão e Coréia. Tem uma coisa em economia também que você não pode andar para trás. O andar para trás significa uma ruptura muito grande como, por exemplo, na Argentina. Seria impossível fazer um modelo hoje para o Brasil só com base na agropecuária. Eu acho difícil mudar o motor, a menos com um custo muito alto, por exemplo, seria muito difícil nós reduzirmos o tamanho das nossas grandes cidades mediante o emprego no campo, ou seja, nós estamos condenados a produzir empregos nas cidades, pequenas e médias e nas grandes também.


Portal - Esse privilégio dado à industrialização no Brasil acabou tendo várias conseqüências como o êxodo rural, o inchaço das cidades, a violência. Como esses problemas poderiam ser evitados?


Júlio Sérgio:
Com um crescimento mais equilibrado. No caso da agropecuária, temos a parte da agricultura familiar que é muito importante, que também fixa o homem no campo, que é outra problemática. Eu não conheço bem mas eu sei que é um problema muito grande. Mas não tem jeito: se na economia há uma liderança de um determinado setor sobre o outro nós vamos ter um desequilíbrio dessa ordem, assim como se tivermos só o desenvolvimento da agropecuária. É ótimo que ela cresça porque senão a média ficaria mais para baixo. Mas, se tivermos o desenvolvimento só de um setor, como a agropecuária tem tido nos últimos quatro ou cinco anos, também você perde oportunidades porque você desequilibra algum lado


Portal - Um estudo realizado por dois pesquisadores Embrapa, um deles, Eliseu Alves, inclusive entrevistado pelo Portal Fazendeiro, concluiu que um incremento de 10% no PIB agrícola tem um impacto de 9 a 10% no PIB industrial e de serviços nas pequenas e médias cidades.

Júlio Sérgio: No todo eu acho que ainda não pelas vinculações que a indústria ainda tem com o setor de serviços, que são muito fortes, e construídas ao longo de muito tempo, mas nas pequenas e médias cidades acredito que tenha uma participação muito grande.

Portal - A questão da agropecuária ficou à frente em diversas ocasiões, como nas discussões da Alca e na OMC. Existe algum conflito dessa prioridade com os interesses de outros setores, como a indústria?


Júlio Sérgio: Eventualmente pode ter, porque em qualquer negociação você pode esbarrar em um conflito de setores, aí depende da habilidade dos nossos negociadores, do que vai representar em termos da economia. A economia brasileira hoje é inequivocamente diversificada, tem uma base agropecuária muito forte, que foi despertada recentemente, e uma base industrial também muito diversificada. Eu falo de exportação porque é um teste, a gente consegue colocar um produto no exterior porque nosso produto é bom, de boa qualidade. Nós somos capazes de exportar desde um produto da indústria tradicional como o aço, vestimenta, sapato, até uma coisa de alta tecnologia como os aviões da Embraer. Somos capazes de exportar produtos agropecuários de todo o tipo com grandes doses de tecnologia também. Então o Brasil tem uma diversificação muito grande e é isso que importa. O Brasil tem que olhar o conjunto e o conjunto é esse: uma economia diversificada e muito competitiva na agropecuária mas também na indústria e aí tem que respeitar esse tipo de coisa, pode haver conflito sim. Do ponto de vista do IEDI, na Alca, se não tiver aberturas na área da agropecuária não vale a pena a gente fazer o acordo. Por que? Porque aí não é uma questão só nossa, da indústria, é uma questão do Brasil, porque a abertura desse mundo todo, que a gente chama de globalização hoje, foi feita muito em cima de indústria e serviços mas não sobre produtos da agropecuária onde nós somos, inequivocamente, muito competitivos. A abertura da chamada globalização não envolveu a agropecuária ao longo de várias rodadas. Então nós achamos o seguinte: se não for dessa vez, não vale pena fazer os processos, seja na OMC, seja na Alca porque jamais teremos contrapartida na área da agropecuária. Nós perdemos muito de exportação, muito de emprego. Tem um economista de uma organização americana que afirma que o Brasil perde 5 milhões de dólares em exportações para os Estados Unidos em produtos da agropecuária por ano em função do protecionismo norte-americano, quer dizer, então a gente não vê a Alca como um acordo simplesmente em torno da indústria e serviços, ou compras governamentais, tecnologia. Alíás são temas muito importantes, o mercado norte-americano para o Brasil é muito importante, 30% das nossas exportações de manufaturados vão para os Estados Unidos, então a Alca é uma abertura de mercado muito importante para a indústria mas, no contexto do Brasil como um todo, a questão da agropecuária se impõe porque é um setor que "esqueceu" de fazer a abertura ao longo desse processo de globalização.

Portal - Basear o desenvolvimento nas exportações não poderia causar muita dependência? Os resultados no ano passado bateram recordes mas isso não deixaria o País à mercê dos mercados internacionais, sujeitos a inúmeras crises? Não seria melhor ampliar o mercado interno?

Júlio Sérgio: Eu acho que tudo isso é verdade, por exemplo, a nossa dependência de exportação de produtos primários. Nós exportamos muitos produtos industriais, a nossa pauta está mais ou menos meio a meio de produtos básicos. A não ser que aconteça uma coisa muito grave nos próximos dez anos, o Brasil não vai deixar de ser um bom exportador de produtos industriais também. Então eu não vejo essa dependência como um problema muito sério. Tem países, países da África, por exemplo, que sofrem terrivelmente por conta disso, muito dependentes da exportação não apenas de produtos agropecuários mas poucos produtos. A conjuntura internacional de produtos primários não foi boa em 97, 98, até 2001. Para você ter uma idéia, nossos preços de exportação de produtos agropecuários declinaram nesse período, em alguns casos até 30%, então imagine se fossemos dependentes de alguns poucos produtos dessa lista, estaríamos numa situação muito difícil. Eu penso que esse problema não vai acontecer no Brasil pela sua diversificação em exportações e inclusive pela sua diversificação em produtos primários e da agropecuária. Nós não somos só exportadores de soja, somos também de carnes, de três ou quatro tipos, nós somos exportadores de muitos outros produtos, madeira, por exemplo, quer dizer, nós temos uma diversificação dentro da agropecuária muito forte e eu não vejo nenhum risco nesse processo. Na verdade, o que o Brasil precisa, no meu ponto de vista é, seja na sua economia doméstica, seja na sua exportação, é manter essa diversificação.


Portal - Uma das questões centrais do País atualmente é o problema do desemprego. O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues acenou, no começo do ano, a criação de 1,32 milhão de novos empregos diretos e indiretos no agronegócio. A indústria tem condições de acompanhar esse número ou mesmo de superar ou. No momento, o agronegócio é o maior "produtor" de empregos?


Júlio Sérgio: É pelo crescimento. Se a indústria crescer o que o agronegócio cresce, o poder é maior, até porque a indústria tem mais efeito sobre o setor de serviços, o comércio, a reparação, financiamento. É uma questão de crescimento porque a indústria está crescendo pouco, então nos últimos três anos a indústria cresceu alguma coisa como 1,4%, em média, ao ano, o quanto cresceu a população.


Portal -
Para 2004 o sr. vê alguma perspectiva de melhora?


Júlio Sérgio: Eu vejo, tanto porque o baixo crescimento durante tanto tempo coloca potencialidade, o consumo de roupa caiu 20%. A população se tiver um pouquinho mais de renda, um pouquinho mais de crédito, vai voltar a comprar esse bem e muitos outros. Nós falamos que existe um consumo reprimido, então pode crescer 5% ou 6% este ano, mas muito em função de não ter crescido, de ter ficado parado nos últimos anos. Então tudo bem, vamos soltar os foguetes, se crescer 5% ou 6%, perfeito, só vamos recuperar o tempo perdido. O crescimento maior por mais tempo é o que a gente quer, o que gente precisa. Se a indústria crescer a uma boa taxa como a agropecuária tem crescido nos últimos anos, aí a questão do emprego no Brasil, juntando as duas coisas, fica muito mais fácil de resolver. Na verdade, a solução é por aí. Mais uma vez, o Brasil não tem que escolher entre um setor ou outros, o Brasil tem que escolher os três porque com um só não vai.


Portal - Qual a relação da agroindústria com a indústria como um todo?


Júlio Sérgio: O IBGE divulgou o crescimento em 2003 da agroindústria, a indústria vinculada ao setor agropecuário. Essa indústria cresceu 1,6%, não é um crescimento que a gente quer, queremos um crescimento maior, mas a indústria como um todo cresceu apenas 0,3%, então a agroindústria cresceu bem mais do que a média do setor industrial. O que eu vejo no Brasil hoje, se nós conseguirmos equilibrar um crescimento maior da indústria porque nos últimos cinco anos é a indústria que não está crescendo. Mantendo o crescimento da agropecuária nós vamos ter um equilíbrio muito maior na economia. Por exemplo, as indústrias que nós chamamos de bens de consumo não duráveis, indústria de alimentos, vestuário, calçados, isso tende a se desenvolver com o crescimento desse tipo. Não está se desenvolvendo mas pode se desenvolver muito mais em um processo como esse.


Portal - Por que o sr. acha que esse desenvolvimento não está ocorrendo?


Júlio Sérgio: No caso da indústria é o mercado interno. A agropecuária tem sabido levar para a exportação uma deficiência do nosso mercado interno mas a indústria não. Você tem setores da nossa indústria que estão produzindo hoje, com relação há 10 anos, 20%, 30% menos. Esses setores também exportam alguma coisa mas o mercado interno está muito fraco. Em outras palavras, a renda do brasileiro está caindo: a cada rodada que nós assistimos nos últimos anos, o dólar explode, a inflação vem forte como aconteceu em 99, um pouco em 2001, e de novo em 2003 e isso leva uma parte do poder aquisitivo da população. O nosso crédito é muito caro, seja da indústria, do empreendedor, do pequeno e médio empreendedor e também para as famílias consumirem, o que significa que o nosso mercado interno está se retraindo e isso explica a retração da indústria.


Portal - Outra questão central para a agricultura e também para o País é a estrutura agrária. A gente vive uma situação de conflito no campo, invasão de fazendas, todas essas questões. O sr. tem alguma sugestão para encontrar o caminho para a paz no campo, o sr. acha que o governo está fazendo alguma coisa de positivo, o modelo de reforma agrária que está sendo implantado?


Júlio Sérgio:
Eu conheço muito pouco o assunto, quero revelar minha completa ignorância. O que eu acho, o que eu sinto, é uma necessidade muito grande do Brasil tentar compatibilizar a agricultura empresarial, fortemente capitalizada hoje, não era até há pouco tempo. A agricultura sempre foi aquele setor endividado, que vivia de chapéu na mão, todo ano no Congresso pleiteando o perdão da dívida. Hoje não, é um setor capitalizado, com cultura empresarial, exportador, competitivo, tecnologicamente atualizado, com maquinário, etc. Eu vejo um desenvolvimento muito grande. Onde eu não vejo um desenvolvimento grande e aí, certamente, é em função das próprias dificuldades de compatibilizar, é na agricultura familiar que é o sustento da população e é o que mantém a população no campo e faz com que a escolha por morar na cidade grande seja uma opção e não uma imposição. Então o que eu gostaria de ver desenvolvida é a agricultura familiar. O método disso eu realmente não sei se é uma reforma agrária, não conheço as possibilidades para esse tipo de coisa, não queria opinar porque minha ignorância é grande.


Portal - Existe uma lição a ser tirada do desempenho positivo que a agropecuária teve nos últimos anos?


Júlio Sérgio: É muito curioso que você tivesse há cinco anos você tivesse um setor de pires na mão, que precisava alongar sua dívida, que não crescia muito, abatido por qualquer coisa e, de repente, desponta aí com tanto dinamismo que é a nossa agropecuária empresarial. Por que? Primeira coisa: eu acho que ela revela a grande capacidade empresarial brasileira e a única coisa a criticar disso é que não seja aberta a mais empreendedores. Eu acho que a agricultura familiar de hoje pode gerar o novo empresário de amanhã. Por que aconteceu isso? Porque mudou o câmbio, nós estávamos paralisando a economia por uma política cambial absolutamente cerceadora da exportação, então além do protecionismo internacional nós aqui também fizemos força para não exportar. Terceiro porque isso aí já vem de mais tempo que nós temos uma empresa, no caso da Embrapa, que se dedica à tecnologia no campo. Muito do nosso desenvolvimento da agropecuária se deve, com todas as dificuldades da Embrapa, a uma organização que deu certo no sentido de disponibilizar tecnologias para o campo. E quarto eu acho que foi também o fator de modernização da agropecuária empresarial, coisa que o BNDES ajudou. Tem o programa chamado Moderfrota com taxas de juros fixas - não são subsidiadas, mas fixas - isso é importante porque ninguém precisa ter subsídios para fazer um negócio mas precisa ter um horizonte. A taxa de juros fixa diz pro cara quanto ele vai ter que pagar. Juntando tudo isso você vê que, em cinco anos, a agropecuária empresarial mudou de face. Por que nosso setor de serviços não pode mudar de face? Por que a indústria, que aliás não vai tão mal, não está crescendo porque o mercado interno está muito fraco mas não é exatamente um setor que emperra, mas também pode voltar a ser um setor de grande dinamismo. Eu tomo a agropecuária e o crescimento da agropecuária empresarial como um grande exemplo de como o Brasil pode ser na área industrial também, na área de serviços e na área da agricultura familiar, onde eu vejo um espaço problemático, sem saber exatamente como desamarrar isso.

Portal do Fazendeiro

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